quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Relato de Parto

Aproveitando a volta, deixo aqui pra vocês o meu relato de parto.


 “E tu virias numa manhã de domingo
Eu te anuncio nos sinos das catedrais
Tu vens, tu vens, eu já escuto os teus sinais”
(Alceu Valença, roubado de um email lindo de Renatinha)

Eu comecei a escutar os sinais da chegada de Alice numa quinta-feira, 15 de outubro. Eu estava então com 40 semanas e 4 dias de gestação. Mesmo sabendo que uma gravidez pode durar, normalmente, até 42, eu estava ficando cada vez mais ansiosa, para ver a carinha da minha filhota, pra sentir seu cheirinho, poder abraçá-la, mas também estava ansiosa para sentir meu corpo entrando em trabalho de parto. Não era medo! Não! Eu sentia uma ansiedade para vivenciar a experiência de parir. Eu queria parir!!!!
Para amenizar um pouco a ansiedade resolvemos, eu, mainha e Lelo, dar um passeio na praia. Ver o mar sempre me acalmou e, mesmo sendo esse Mar do Norte gelado, foi um passeio muito tranquilo e gostoso. Isso ajudou-me a entrar em contato com meu interior, a voltar-me pra dentro de mim. Na volta, eu já comecei a sentir minha barriga mais pesada, as contrações de Braxton Hicks mais fortes que de costume, mas achei que ainda não era a hora.
Chegamos em casa e, como de costume, depois do jantar eu fiz um escalda-pé. Foi aí que as coisas começaram a mudar, ou eu achei que sim. Senti umas contrações mais fortes que as do fim da tarde. Resolvemos ir deitar mais cedo. Daniel fez uma massagem em mim e depois fomos ver um filme no computador. Lembro-me que eu não conseguia posição pra deitar direito, a barriga incomodando um pouco, virava de um lado pro outro e não me sentia confortável. Não consegui me concentrar pra ver o filme e resolvi (tentar) ir dormir. Lá pras 10 ou 11 da noite comecei a sentir umas contrações diferentes, no pé da barriga, e elas começaram a se repetir. Vinha uma, passava, vinha outra, passava, como ondas.  Olhei pra Daniel com os olhos cheios de lágrimas e disse “amor, acho que tá chegando a hora!”. Eu estava emocionada, feliz por sentir que meu corpo estava entrando em trabalho de parto. A gente então começou a marcar as contrações, pra ver se tinham alguma regularidade. Elas estavam variando em intervalos de 10, às vezes 15 minutos, outras vezes 5. Ou seja, ainda não estavam regulares. Paramos de contar e ficamos conversando por um tempão. Falamos de nossas expectativas, nossos desejos, da filhota que estava por vir. Depois de um tempo marcamos de novo (por uma hora) as contrações, elas estavam mais próximas, com intervalos entra 5 a 7 minutos, mas não estavam ficando  mais intensas. Foi quando eu disse pra Daniel ir dormir, que se alguma coisa mudasse eu acordaria ele.
E eu passei a noite e a madrugada inteira sentindo as contrações. Elas eram intensas, mas eu sabia, sentia que ainda não estavam progredindo do jeito que tinha que ser, pois não aumentavam de intensidade. Quando começou a amanhecer, como que por um passe de mágica, as contrações foram diminuindo, diminuindo e pararam. Nossa, fiquei super frustrada. Mil coisas passaram na minha cabeça, medo de não entrar em trabalho de parto mesmo, medo de ter que fazer cesariana, medo de perceber que meu corpo não fosse capaz de trazer minha filha ao mundo. FRUSTRAÇÃO! Esse era meu sentimento. Passei a sexta-feira meio tristinha, mas ao mesmo tempo, tentando me conectar com meu corpo, perceber se ele estava mandando mais sinais. Estava introspectiva!
Sexta à noite repetimos nosso ritual, escalda-pé e, antes de dormir, massagem do maridão. Lembro-me que a gente começou a fazer essa massagem tanto pra aliviar as dores nas costas que eu sentia, como para que Daniel fosse treinando para a hora do parto, a Hora “P”. Fui dormir com a expectativa de que Alice estava chegando. E as contrações voltaram, devagarzinho, elas foram surgindo, de novo, como ondas. Dessa vez não criei tanta expectativa. Podia ser “alarme falso” de novo. Marcamos as contrações e elas até tinham uma regularidade, por um tempo, mas depois espaçavam novamente. E nada de aumentarem de intensidade.
De novo, falei pra Daniel ir dormir e se algo mudasse eu chamaria ele. Pela segunda noite consecutiva não dormi. Fiquei sentindo as contrações durante toda a madrugada, elas estavam mais intensas que na noite anterior e por isso, não conseguia ficar mais deitada. Mas eu sabia que eu tinha que dormir, descansar um pouco, pois a hora P estava mesmo chegando. Resolvi pegar a gorda (bola de pilates), botei um colchonete no chão, fiquei sentada nele e me apoiei na gorda. Assim eu passei a madrugada do dia 16, tendo contrações (já bem doloridinhas) de cinco em cinco minutos, que duravam em torno de 1 minuto. No intervalo das contrações eu baixava a cabeça na gorda e cochilava. Quando sentia novamente uma contração eu levantava a cabeça, fazia umas respirações e massageava a barriga. E nessa eu fui até de manhã, quando, mais uma vez, aos primeiros raios de sol as contrações foram embora.
Levantei me sentindo muito carente. Mas era uma carência de filha. Era como se meu incosciente estivesse dizendo “te prepara porque daqui a pouco você vai ser mãe e não mais filha!”. Mainha, que veio aqui pra casa acompanhar o nascimento da neta, estava dormindo na sala. Fui pra cama dela e fiquei lá, recebendo seus carinhos, aninhada no colo da minha mãe, da minha referência feminina.
Estava então completando 41 semanas. Como estávamos planejando um parto domiciliar, mas aqui na Holanda isso só é possível até atingir 42 semanas, quando a mulher completa 41 semanas as parteiras fazem o procedimento de deslocar a membrana pra “ajudar” a entrar em trabalho de parto. Ao meio dia Evelyne chegou e conversou comigo. Quando lhe contei que estava a duas noites tendo contrações e que de manhã elas “iam embora”, ela me disse que isso era muito normal, pois um dos hormônios responsável pelo parto (ocitocina) gosta do escurinho, de privacidade (e é por isso que a maioria das mulheres entram em trabalho de parto durante a madrugada!). Pois bem, ela me examinou, disse que eu já estava com 1cm de dilatação (fruto dessas duas noites intensas) e que meu colo estava favorável para fazer o deslocamento de membranas.  Feito isso, ela falou que eu tinha em torno de 50% de chance de entrar em trabalho de parto daqui pro início da noite.
Batata! Durante a janta eu senti uma contração bem diferente de todas as outras, bem mais intensa e foi aí meu corpo me disse “agora é pra valer”. A segunda onda veio, mais intensa me enchendo de orgulho e vontade de parir. Terminei a janta sentada na gorda, rebolando bem muito e parando de quando em vez pra respirar.
Depois da janta liguei o computador pra colocar música (nem lembro agora o que eu escutei!) e diminuímos a intensidade da luz em casa. As contrações estavam intensas (até meio incômodas), mas eu estava suportando tudo perfeitamente (e com gosto). Lembro que mainha ficou meio ansiosa, querendo que a gente marcasse o tempo das contrações, ou que ligássemos pra parteira. Mas eu sabia que ainda não era a hora, pois sentia que ainda não tinha regularidade.
Por volta das 10 da noite decidimos marcar o tempo e ver como estávamos progredindo. Contrações de cinco em cinco minutos, durando 1 minuto cada uma. Tava tão regular que Daniel predizia quando ia começar e terminar, parecia nado sincronizado, hehe. A contração ia chegando e Daniel dizia, “tá vindo né?”, ela ia passando e ele na contagem regressiva “10 9 8...2 1. Passou?” Isso me dava tranquilidade, eu sentia que a gente estava em sintonia! Ligamos pras parteiras e quem estava de plantão era Mathilda. Ela chegou de meia noite, mais ou menos. Conversou comigo, elogiou minhas reboladas na gorda e nossa tranquilidade. Me examinou e disse que eu estava com uns 4cm de dilatação. Ok! Mas ainda temos muito trabalho pela frente. Ela falou que ia voltar pra casa pra dormir um pouco e que em duas horas voltava. Perguntou tb se poderia trazer uma estagiária, o que nós concordamos. Ela se foi e nós ficamos em casa, confortáveis, conversando, trocando carinhos e olhares. Eu estava me sentindo maravilhosa um misto de orgulho, ansiedade, força e acima de tudo, introspecção. Durante as contrações eu fechava os olhos e mergulava em mim mesma, buscando minhas forças e minhas convicções. O me ligava ao mundo exterior durante as contrações era o toque nas minhas costas, das mãos (hora de Daniel, hora de mainha) que me faziam massagens.
Às duas da madrugada Mathilda voltou trazendo Maike (uma jovem aprendiz de parteira, recém-formada, linda, com a voz mais doce que já escutei. Aliá,s essa é uma das lembranças mais fortes de todo o trabalho de parto, a voz de Maike, me dando força, dizendo que eu estava indo muito bem). Novo exame de toque e ela me diz que eu estava com 6 cm de dilatação. A partir de agora elas iriam ficar aqui em casa, pois tudo poderia transcorrer bem rápido (ou não!). Ficamos todos na sala, e a conversa paralela começou a me incomodar. Resolvi ir para o quarto e ficar mais focada no meu processo. Levamos o computador (que reproduzia o barulho de um rio corrente), acendemos umas velas e tome massagem nas costas e na barriga. As contrações cada vez mais intensas, faziam eu procurar diversas posições pra me sentir mais confortável. Eu já estava na partolândia! Nem prestava mais muita atenção ao que se transcorria ao meu redor. Tudo o que eu queria era encontrar posições confortáveis, estava me sentindo feito gata parindo, que roda roda roda em torno do próprio eixo. A essa altura a gorda foi abandonada, eu não gostava mais dela! Ficava de quatro, de joelhos em cima da cama, segurava a barriga, deitava de lado. Nada parecia mais aliviar o incômodo das contrações, o que me dava forças, pois sabia que a cada nova onda, a chegada de Alice estava mais perto.
Novo exame de toque e eu estava com quase 8 cm. Mathilda conversa comigo e decidimos por romper artificialmente a bolsa, pra ver se acelerava o processo, pois eu estava mostrando sinais de cansaço (principalmente porque essa era a terceira noite que não dormia). Foi aí que descobrimos que tinha mecônio na água (ou seja, Alice tinha feito cocô dentro do líquido amniótico). Isso era então, indicação para irmos pro Hospital.
Ui, levei um susto! Tava tão bom ficar em casa, no escurinho, na minha cama, no meu apertamento. Ir ao hospital me trouxe angústias fortes. Estando em outro país, minha casa era meu refúgio, meu local seguro. Sair dali seria entrar num terreno desconhecido e não desejado! E hospital lembra cesária, coisa que eu não queria de jeito nenhum. Conversei essas coisas com Mathilda e ela me sugeriu que fôssemos para o Hospital de Leiderdorp, que lá ela poderia continuar me acompanhando e eu não passaria para a responsabilidade de ginecologista desconhecido. OK!
Fomos de “carona” com Mathilda. O caminho, que nem sei quanto tempo durou mesmo, foi pra mim uma eternidade (desconfortável). Encarar contrações fortes dentro de um carro não é nada agradável. Cheguei ao Hospital por volta das 6 da manhã. Sala muito clara, pessoas que eu nunca vi na vida e duas surpresas: 1) eu tinha regredido no trabalho de parto, estava agora com 4 cm (tudo pq não me senti segura com o ambiente hospitalar) e 2) teriam que colocar uns fios pelo meu canal vaginal pra fazer o monitoramento de Alice (por causa do mecônio). HORRÍVEL!!!!!
Durante as contrações eu tinha vontade de arrancar os fios que ficaram colados na minha perna com o aparelhinho medidor. Estava sem paciência, mas Daniel, sabiamente, com muita doçura, paciência e intensidade, me ajudou a serenar. Comecei novamente a tentar me concentrar e voltar para a partolândia. Pedi pra todo mundo sair do quarto e ficamos eu, mainha, Daniel e uma mini-gorda que tinha no hospital. Mais massagens, mais rebolado e de novo entrei na partolândia. Meio que por instinto (porque já não via muita coisa), senti mainha um pouco tensa com a situação e pedi pra ela sair do quarto.
Só eu e Daniel, fiquei mais à vontade. Mas já estava impaciente, meio doidinha mesmo. Daniel estava sempre muito paciente e participativo. Me ajudava com as massagens nas costas, na barriga, na cabeça, lembrava-me de manter o ritmo da respiração, respirando junto comigo. Mas o engraçado é que nesse momento tudo ficou meio maluco na minha cabeça. Eu queria ele junto de mim, mas me agoniava ter ele ali do meu lado. Lembro-me que eu dizia assim: “vai prali, pro canto da sala (e ele ia!). Não! Não, não, volta pra cá e faz mais massagem!” ou então “amor, pára de respirar assim perto de mim!!!!!!” E ele respeitou todas as minhas doidices e impaciências.
Chegou uma hora que eu não estava mais conseguindo posição nenhuma, a cama do hospital era ruim, e eu fui ficando com uma raiva tão grande de estar ali que pus pra fora, gritando em bom português “QUE CAMA RUIM DO CARALHO!!!!!!” Ninguém precisou entender o português pra compreender que foi uma reclamação, pois todos entraram na sala pra saber se estava tudo bem.
Eu estava exausta, três dias sem dormir e sentia que não estava progredindo como tinha que ser. Mathilda então conversou comigo, dizendo que iria me dar uma analgesia (diferente de anestesia!) pra que eu pudesse dormir um pouco e recobrar as forças. Perguntei se isso iria atrapalhar o desempenho de Alice e ela disse que não! Aceitei! Mas confesso que não senti diferença nenhuma. As contrações estavam intensas demais e muito próximas uma da outra! A impressão que eu tinha é que elas quase emendavam uma na outra. Foi então que Mathilda sugeriu fazer mais um exame de toque. Dessa vez foi diferente, ela fechou os olhos, se demorou, se concentrou. Quando ela abriu os olhos me disse: “já entendi o que está acontecendo. Alice é “teimosa” e não está abaixando a cabeça pra passar pelo canal vaginal. Por isso o trabalho de parto não está progredindo. Se você se deitar para o seu lado esquerdo vai forçá-la a baixar a cabeça. Isso vai ajudar”. Quem já passou sabe o quanto é difícil ficar deitada em pleno trabalho de parto, mas eu aceitei. E, como num passe de mágica, em 10 minutos eu passei de 6 pra 10 cm de dilatação e entrei na fase expulsiva. Quando disse que estava sentindo vontade de empurrar Maike arregalou os olhos e disse, “mas já?” Já mesmooooo!!!!!
Então vamos lá. Pedi pra levantar a cabeceira da cama e fiquei ali mesmo. Nossa, é uma sensação quase indescritível. Eu, que estava exausta, descobri uma força arrebatadora dentro de mim. Nada de cansaço, só determinação. Dói, mas é uma dor diferente, é uma dor “boa”, uma dor cheia! Cada contração eu sentia Alice passar pelo canal vaginal e pensei “estais nascendo num domingo, assim como tua mamãe aqui”. E todo mundo dizia, em três línguas diferentes “Ela está vindo, está nascendo!”. Eu coloquei a mão e senti a cabecinha dela ali, entre minhas pernas. Minha filha está nascendo! Me dei conta de que ainda estava vestia uma blusa. Tirei esse tecido de cima de mim porque não queria que nada estivesse entre mim e ela nesse primeiro momento. Assim que sua cabecinha saiu Maike cortou o cordão umbilical (que estava enrolado com duas voltas no pescocinho da pequena), ela perguntou se eu queria ampará-la quando saísse. Claro que sim né?!  Mais uma onda gigante e ela estava nos meus braços e coloquei-a na minha barriga. “Minha pequena! Minha filha! Prazer em conhecê-la! Linda!!!!!!”
Logo de cara ela fez um cocozão em cima da mamãe e abriu o berreiro, já nos avisando do seu temperamento forte. Chorou a plenos pulmões! Por causa da emoção todos estava falando muito alto. Sem nenhuma cerimonia pedi pra fazerem silêncio e trouxe minha pequena para junto dos meus seios e comecei a falar baixinho com ela “seja bem vinda ao mundo meu amor, eu sou sua mãe e esse aqui do lado é o papai!”  e ela rapidamente foi se acalmando e parou de chorar, olhou-me intensamente nos olhos e ali ficou selado nosso amor, nossa cumplicidade, nossa intimidade. Coloquei-a no peito e depois de algumas tentativas e erros, mamou por uma hora inteira. E eu fiquei sentindo seu cheirinho. Um cheirinho de entranhas, cheirinho de uma pessoa novinha em folha, cheirinho de vida brotando. Depois Mathilda pegou-a para limpar um pouco e convidou Daniel pra cortar o restante do cordão umbilical e colocar a primeira roupinha. Alice voltou a chorar quando saiu de junto de mim, mas Daniel começou a cantar pra ela, com uma voz doce e macia e ela se acalmou de novo. Colocada a roupinha, mais peitinho pra pequena, que veio com todo gosto.
O cansaço bateu, mas eu não queria tirar a pequena dos meus braços. E comecei a pescar com ela em cima de mim. Ok! Coloquei ela um pouco no berço e aproveitei pra comer um “boterham” e fui tomar banho, ajudada por Daniel. E meu mundo já não era mais o mesmo. Já não éramos só nós dois, “una pareja sin hijos”. Éramos três, uma tríade unida pelo amor!
Nossa pequena nasceu saudável, ficou sempre ao meu lado (mesmo durante os exames básicos) e foi recebida de forma tranquila e harmoniosa! Veio ao mundo na sua hora e foi aconchegada amorosamente.
Lembro-me da sensação de poder que me encheu o coração assim que eu pari. Eu pari!!!! Busquei minhas mais íntimas forças pra ajudar minha filha a chegar a esse mundo e abracei-a desde o início, um abraço que começou nas entranhas, no meu útero, e culminou nos meus braços, nos meus seios.
Agradeço a todos aqueles que me são queridos e que me incentivaram em minhas escolhas. Mas agradeço especialmente a algumas pessoas aqui. As parteiras, Lavina, Evelyne, Maike e Mathilda, obrigada por toda a assistência carinhosa que nos dispensaram. Agradeço também a Valery Bell pelo curso de preparo ao parto e as informações preciosas de como entrarmos em sintonia como nosso corpo (assim como ao grupo que, junto conosco, trocaram medos, dúvidas e esperanças). Agradeço a minha mãe, que atravessou o atlântico pra me dar referência e segurança feminina e por ter respeitado todas as minhas vontades e desejos de grávida. Obrigada por ter compartilhado do meu parto. Agradeço a Renatinha, que me incentivou e me fez entrar de cabeça (mergulho flexeiro mesmo) no mundo da maternidade ativa e do nascimento humanizado. Obrigada querida por toda a troca de experiências. E claro, agradeço a Daniel, meu marido, companheiro, minha metade. Obrigada por todos esses anos de cumplicidade, de caminhar juntos. Obrigada pelas massagens, pelas respirações, pelas palavras de conforto e incentivo. Obrigada por não ter saído do meu lado (nem quando eu pedi!), obrigada por me amar assim desse jeitinho mesmo, esse amor que me enche a existência, que me faz mais eu, mais tu, mais nós.
E por fim, obrigada a Alice, minha filha, por me abrir uma nova realidade, por me apresentar o mundo da maternidade, por fazer meu do meu coração um lugar muito maior, por me ensinar um amor ainda mais intenso. E hoje, mais do que nunca, acredito que “pra mudar o mundo é preciso também mudar a forma de nascer”!

Um comentário:

Jornada disse...

Mila, mãe de Alice, o relato da sua "dor cheia" encheu meus olhos d'água e meu coração de esperança. Só tive um encontro contigo e me foi suficiente para conhecer esse mundo especial em que você e sua família linda vivem. Adorei te conhecer! Parabéns pela VIDA! Um grande beijo, Ju